A Avaliação
Abordámos, em aula, esta temática da avaliação, pois será necessária e imprescíndivel para a última fase do trabalho por projectos, passo a redundância, a fase de avaliação. Nesta fase, em que a denominação quase diz tudo, teremos diversas vertentes onde devemos aplicar instrumentos de avaliação, por forma a avaliar o projecto de intervenção. Devemos avaliar-nos, auto-avaliação, avaliar as aprendizagens realizadas, decorrentes das actividades, avaliar a satisfação das crianças relativamente às actividades, e ainda avaliar o impacto e/ou contributo do projecto desenvolvido para a instituição em causa. Durante a aula, que decorreu por meio de debate e troca de ideias, fiz questão de utilizar e extrapolar cada aspecto abordado para o meu projecto, e portanto, aqui farei também essa ponte.
Antes ainda de falarmos em instrumentos de avaliação, debatemos critérios mais gerais de avaliação, que aplicámos aos instrumentos de outras duplas, e utilizámos também para analisar e reflectir sobre o que já tínhamos realizado, de forma a corrigirmos o que eventualemente se encontrasse errado. De uma tag cloud construída em grande grupo, três critérios de avaliação se salientaram: pertinência, rigor e coerência.
Pertinência em relação a diversas vertentes: a pertinência do projecto em si ou seja, das suas finalidades, objectivos gerais e específicos; mas também pertinência do quê, do quem, e do quando se está a avaliar, isto é, pertinência do momento que está a ser avaliado (que aspectos serão observados e avaliados), e pertinência do público alvo, de quem é avaliado, por outras palavras, se o instrumento de avaliação aplicado é adequado ao público a ser avaliado. Como disse, fiz de imediato a ponte para o projecto do qual faço parte. Em relação à pertinência do projecto considero que as suas finalidades erradicam pontos de extrema importância, por um lado o desenvolvimento equilibrado da criança e por outro o despertar de capacidades artísticas, criativas e expressivas, cognitivas e emocionais, partindo de produções artísticas. Relativamente à pertinência do momento e do público alvo a avaliar, considero que os focos estão, no meu projecto, bem direccionados. Se não vejamos: quem vamos avaliar? As crianças que tenham participado nas actividades. Em que sentido as iremos avaliar? Por um lado as suas aprendizagens; por outro, a satisfação das mesmas aquando da realização das actividades. Como o iremos fazer? Para as aprendizagens, uma grelha de observação em que momentos, tarefas, materiais, outras ocorrências nos conduzem a avaliar a actividade. Para a satisfação das crianças no decorrer da actividade criámos um instrumento personalisado do qual falarei mais à frente. Dito isto, o critério pertinência está, a meu ver, a ser tido em conta e consideravelmente atingido. Acrescento aqui pertinência dos instrumentos escolhidos pois considero que eu e a minha dupla conseguimos criar diferentes instrumentos que avaliem diferentes aspectos do projecto: questionários para todas as actividades a serem respondidos pelas Educadoras e Auxiliares que estejam presentes nas actividades; instrumentos de auto avaliação a serem preenchidos por mim e pela Cátia após todas as actividades; grelhas de observação que serão alvo de análise e, portanto, avaliarão as aprendizagens das crianças; um instrumento de avaliação em que, através de diferentes cores, cada uma com seu especial significado, as crianças nos dizem o grau da sua satisfação na actividade; e ainda uma entrevista final à Coordenadora Pedagógica da instituição, e possívelmente também aplicada às Educadoras, no sentido de avaliarmos o impacto e o contributo do projecto.
O critério rigor: rigor ortográfico e rigor na clareza da escrita, nomeadamente em relação aos questionários. O rigor ortográfico é e foi sempre tido em conta e considero-o totalmente atingido. Em relação ao rigor na clareza da escrita há mais a dizer: por um lado a clareza que se consegue transmitir pelo texto, isto é, tentar fazer com que as questões, tabelas, escalas e até o tipo de resposta (aberta ou fechada) não são dúbios, se não irão suscitar dúvidas a quem responde aos mesmos, procurando sempre a imparcialidade. Ora os questionários que iremos, e já aplicámos, são constituídos sobretudo por questões de resposta fechada (colocação de uma cruz) numa tabela de escalas. Construímos estas escalas sempre em número par, para não suscitar a que respondam no meio ou que a escala se torne mais positiva ou mais negativa. Assim, considero este critério também tem sido alcançado.
O último critério, coerência, diz respeito à coerência interna do próprio instrumento: se há uma sequência na ordenação das questões, se parte do mais particular para o geral ou vice-versa. Mas também diz respeito à coerência do instrumento e do que ele pretende avaliar ao próprio projecto a ser desenvolvido, se foca as questões essenciais, se com ele conseguimos verificar se os objectivos foram atingidos. Fazendo a ponte para o meu próprio projecto, considero que a coerência interna foi conseguida, no questionários, partindo das actividades em si (materiais utilizados, originalidade, pertinência, aceitação das crianças), e culminando na nossa actuação (organização, relação com as crianças). No que respeita à coerência dos instrumentos, e agora focando os questionários e o instrumento de avaliação da satisfação, considero também conseguida. Nos questionários, julgo que focamos os aspectos essenciais das actividades; no instrumento de avaliação da satisfação considero a sua coerência atingida, pois foram especialmente construídos para este público alvo, adequados à sua idade e hábitos avaliativos, sendo portanto também coerente com as finalidades e objectivos do projecto.
Surge aqui um critério que considero bastante importante, a adequação. Sobretudo em instrumentos que se direccionam directamente às crianças, devemos ter especial atenção ao como elas irão avaliar e conseguir expressar o que sentiram, o que gostaram ou não. Pois se pretendemos que as crianças avaliem algo tão subjectivo como a sua satisfação, temos de conseguir transformar o instrumento de avaliação imparcial, ou seja, que de forma objectiva as crianças consigam expressar as suas subjectividades, tornando assim o instrumento credível. Falo, portanto, de adequação do instrumento ao desenvolvimento cognitivo das crianças, e de adequação do instrumento à realidade em que é aplicado. O nosso instrumento, especialmente construído para as salas em que realizamos as actividades, consistirá em as crianças indicarem através de cores diferentes o grau da sua satisfação: verde - gostei muito, azul - gostei, laranja - gostei pouco, vermelho - não gostei. Esta escolha de cores com significado próprio é primeiramente explicada às crianças e, posteriamente à sua ocorrência, é acompanhada por uma frase das crianças onde explicam o que mais gostaram ou não. Desta forma, considero que conseguimos criar um instrumento que ao mesmo tempo é adequado ao público alvo, mas que consegue ser objectivo e de resultados credíveis num campo em que se pretende conhecer subjectividades.
Em suma, considero que esta aula foi muito importante para focar os verdadeiros aspectos essenciais, e daí conseguir alterar ou melhorar os aspectos menos bons.
Análise de Dissertação de Tese de Mestrado
Multiculturalidade na sala de aula: Desafios à formação contínua de professores do 1º ciclo. Formação de Professores.
Ana Raquel Oliveira de Queiroz - 2009
Fundamentação da escolha temática da Dissertação da Tese de Mestrado acima referida
Apesar de ter sido analisada em dupla, considero que a escolha recaiu sobre esta tese essencialmente pela temática da Multiculturalidade que aborda. Uma das minhas Unidades Curriculares opcionais em semestres anteriores era, precisamente, Multiculturalidade, e daí consegui extrair variadíssimos conhecimentos, teóricos e práticos, o que hoje (e já na altura) valorizo muito. Para além de ter aprendido muito sobre os contextos multiculturais e todas as implicações adjacentes, aprendi muito sobre mim mesma, pelo que qualquer artigo, documento oficial, comunicações públicas, entre outras formas de comunicação, me despertam a atenção e o interesse. Desta forma, e em conjunto com a minha colega Cátia Boura, decidimos fazer a análise desta Tese de Mestrado no sentido de verificar se alguns dos conhecimentos adquiridos se encontravam presentes, se verificávamos outros ainda não abordados, ou mesmo de detetávamos discrepâncias entre o já conhecido sobre a temática e o que lemos e analisámos na dissertação.
Explicitação da contextualização e estruturação do trabalho na Introdução
Ao analisar a introdução da dissertação, nomeadamente se apresentava clareza na contextualização do trabalho desenvolvido e se na mesma se encontrava uma definida estruturação da dissertação.
Em relação à contextualização, considero que está bastante bem trabalhada, verifica-se estudo da realidade e ambiente envolvente tanto referente à Multiculturalidade como à Formação Contínua de Professores, fazendo até correlações entre as duas temáticas. Começa por referir a época que se vive atualmente, em termos da existência de diversas culturas, costumes, religiões, crenças, valores, num mesmo local (país, região, escola), salientando que cada vez mais as variadíssimas nações acolhem grandes fluxos migratórios que vêm originar mudanças nas sociedades. É neste ponto que faz a ligação à Formação de Professores, nomeadamente a de cariz contínuo, ao sublinhar a necessidade que se sente no desenvolvimento de capacidades e competências para a efetiva articulação entre o Saber e o contexto de trabalho docente, este caracteristicamente multicultural. Daqui, formula um desafio que considera emergente na nossa sociedade: responder às mudanças devido ao contato, presença e confronto de culturas, no sentido de uma adaptação docente à real heterogeneidade. Partilho totalmente esta visão do emergente conflito, considerando também a necessidade de se construírem, definirem e aplicarem estratégias no sentido de, não só aceitar a diferença pela convivência em sociedades multiculturais, mas também de saber agir sobre elas para se fazer germinar o melhor que essas diferenças podem trazer para a sociedade, potenciando assim cada um dos sujeitos, seus conhecimentos, hábitos, inovações, tradições.
No que respeita à estruturação do trabalho, esta também se encontra na introdução, onde a Mestre faz referência aos capítulos que se seguem, descrevendo também os respetivos subtítulos: CAPÍTULO I – DESAFIOS À FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES EM CONTEXTOS MULTICULTURAIS (Formação Contínua de Professores, Paradigmas e Modelos de Formação, Formação de professores para a Multiculturalidade, Necessidades de programas de formação de professores em contexto multicultural, Conceitos e Tipos de Necessidades, Diagnóstico de Necessidades de Formação), CAPÍTULO II – METODOLOGIA DO ESTUDO (Justificação da Metodologia, Definição do problema em estudo e os objetivos, Escolha dos Participantes, Entrevista, Análise de Conteúdo), CAPÍTULO III - APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS (Introdução, Conceções de professores sobre o que é ser professor em contextos multiculturais, Estratégias usadas pelos professores para lidar com a multiculturalidade, Eventuais problemas existentes na sala de aula em relação a multiculturalidade, Formação e eventuais necessidades de formação), CONCLUSÃO, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA e ANEXOS.
O Enquadramento Teórico e Temático
Como já foi referido, a Dissertação de Tese de Mestrado enquadra-se, temática e teoricamente, na Formação Contínua de Professores, nomeadamente os de 1º Ciclo do Ensino Básico, e na Multiculturalidade. A Mestre utiliza um discurso bastante acessível o que permite ao leitor compreender de forma quase intuitiva as características de cada uma das vertentes.
Em relação à Formação Contínua de Professores, aborda aspetos variados e de especial interesse para o trabalho que desenvolveu. Começa, a meu ver muito bem dado a temática que estuda, com uma abordagem às alterações que se têm vindo a sentir neste campo da formação, em consequência das constantes mudanças sociais. Partindo desta ideia, aprofunda este aspeto da Formação Contínua de Professores, enfatizando pontos como a Profissionalização Docente, a autonomia dos professores e das próprias escolas e a cada vez maior necessidade da formação se centrar na resolução de problemas no real, no contexto escola e no contexto sala de aula, e ainda a evolução que se tem vindo a sentir no que respeita aos papéis desempenhados pelos atores educativos, em particular, os papéis docentes. Ainda neste campo, salienta fundamentadamente que uma melhor eficácia formativa passaria, essencialmente, pelas entidades formadoras terem em atenção às necessidades dos professores, ao desenvolvimento de práticas pedagógicas e pela aposta na gestão escolar, esta última no sentido de adaptação do currículo ao aluno, e portanto à diferenciação de procedimentos de atitudes e de métodos de ensino, e à importância do empenho e participação de todos os intervenientes na construção curricular.
Partindo das necessidades de formação a Mestre consegue, de forma simples e concisa, fazer a ponte com a temática da Multiculturalidade, referindo a necessidade de se investir mais em Formação de Professores para a Multiculturalidade. Assim, salienta que com a mudança do contexto educativo é necessário rever métodos, conteúdos, atitudes e conceções para uma adaptação à realidade. É necessária esta revisão pois o público escolar se revela extremamente heterogéneo e o professor deve possuir estratégias pedagógicas para conseguir lidar com as situações, por vezes conflituosas, que emergem dessa heterogeneidade. No mesmo seguimento, e já fazendo a correlação entre as duas temáticas, diz-nos que a Formação Contínua de Professores que tenha em conta os contextos multiculturais deve preparar os professores para que sejam capazes de examinar as suas crenças acerca da influência da cultura sobre os estudantes e os próprios, e deve proporcionar conhecimento aos professores acerca dos alunos com características culturais heterogéneas, com o objetivo de suscitar no professor uma visão global das diferentes culturas. A autora considera ainda o professor como agente ativo que deve ser capaz de diferenciar as estratégias e adquirir conhecimentos socioculturais, capaz de proporcionar conhecimento sólido a todos os alunos, independentemente da cultura em que se inserem, e deve ser capaz de atuar sobre o desenvolvimento da sociedade, utilizando as mais-valias adquiridas no trabalho lado a lado com alunos de diferentes culturas. Por fim, descreve os princípios de uma Educação Multicultural (Abertura à diversidade cultural, preocupação de coesão social, participação crítica na vida democrática, igualdade de oportunidades e equidade e o respeito pela vida do planeta), como tópicos a ter sempre em mente aquando tanto da formação em si como no trabalho diário.
Dito isto, está um enquadramento teórico-temático bastante rico, focado nos aspetos essenciais para a investigação, não divagando ou perdendo muito o fio condutor da mesma. Apenas aponto para simultaneidade de termos que á primeira luz podem parecer iguais, mas que apresentam diferenças substanciais no seu significado: interculturalidade | muitiétnico | multiculturalidade. São, de fato, termos utilizados como sinónimos, incluindo na tese agora em análise, mas na realidade representam significados diferentes. Entende-se esta situação porque o significado de um “puxa” o outro, mas ao serem tomados como iguais podem levar a desvios no entendimento do leitor em relação à investigação, mas também podem levar o investigador a cometer o mesmo erro.
Apresentação dos Objetivos (gerais e específicos)
Ao analisar a dissertação no seu todo, considero ser possível analisar este aspeto através de dois pontos de partida. Por um lado, verifiquei que não se encontravam presentes objetivos específicos, apenas os objetivos gerais do trabalho desenvolvido. Considero, assim, uma grande lacuna no desenvolvimento deste trabalho, pois a construção e presença de objetivos específicos faria com que se afunilasse e se percebesse de forma mais esclarecedora o que a Mestre pretendia conhecer através da sua investigação. Não verificando esta presença, o leitor apenas pode depreender os reais desejos da Mestre, partindo dos objetivos gerais do seu trabalho: Conhecer estratégias utilizadas pelos professores para lidar com multiculturalidade; Conhecer e refletir sobre eventuais problemas sentidos pelos professores em contexto multicultural; Identificar as conceções assumidas pelos professores sobre o que é ser professor em contextos multiculturais; Conhecer a formação e eventuais necessidades de formação para lidar com a Multiculturalidade. Por outro lado, verificando a existência de uma intencionalidade do trabalho desenvolvido (conhecer as opiniões de professores de primeiro ciclo sobre a multiculturalidade na sala de aula e a sua formação recebida), podemos olhar esta mesma intencionalidade como objetivo geral e os denominados objetivos gerais, transpô-los para o campo do específico.
De qualquer das lentes que se “escolha” utilizar para o entendimento dos objetivos da dissertação, a verdade será sempre a mesma, e portanto, o problema também: a falta de objetivos específicos, emergentes dos gerais, não permite compreender na globalidade e particularidade do que se pretende com a investigação, nem mesmo a sua desconstrução; olhar a intencionalidade como objetivo geral não só retira poder e funcionalidade à finalidade do trabalho, como também vem provocar uma série de objetivos específicos que apenas saem de um único objetivo geral, limitando a investigação e, posteriormente, os resultados, tanto na sua apresentação como discussão.
Metodologia (indicação dos passos que estiveram subjacentes à escolha dos métodos, à sua elaboração, aplicação e análise)
O segundo capítulo do trabalho é dedicado à metodologia aplicada na investigação, onde se encontra uma estrutura bastante simples e organizada quais os métodos e os instrumentos utilizados, descrevendo a forma de elaboração, aplicação e análise. Em conjunto, a metodologia é representada por cinco tipos de métodos: a delimitação da problemática, o planeamento da pesquisa de campo, a escolha dos participantes, a entrevista e a análise de conteúdo.
A delimitação da problemática surge, como o nome indica, no sentido de restringir o foco da investigação, pelo que a autora cria uma série de questões com o objetivo de conseguir conhecer/compreender se a formação recebida pelos professores de 1º ciclo corresponde às suas necessidades diante das exigências educativas de uma sociedade multicultural: Qual o pensamento dos professores sobre desempenhar suas atividades profissionais junto as minorias étnicas? Que competências os professores devem possuir para lidar com a multiculturalidade na sala de aula? Quais as estratégias utilizadas em sala de aula para abarcar a diversidade cultural? Quais os tipos de problemas em trabalhar com uma turma multi-étnica? Que decisões tomam com vista à resolução? Como é que os professores caracterizam a sua formação em contexto de mudança? Que necessidades de formação manifestam os professores? Considero, assim, uma muito boa estratégia de delimitação da problemática, pois ao lançar um objetivo e daí construir questões, evidencia não só a enormidade da problemática em si, mas também os focos aos quais quer dar mais ênfase.
Segue-se o planeamento da pesquisa de campo, onde nos revela a vertente em que a investigação foi realizada, neste caso, na vertente qualitativa. Como metodologia qualitativa que optou utilizar, descreve-nos que pretendia recolher os dados no ambiente natural dos professores, e que essa recolha seria de caráter descritivo. Diz-nos que, nesta etapa, se iria focar no processo, no sentido de analisar os dados descritos. A análise seria indutiva pois considera de importância acrescida o significado, as perceções e as perspetivas dos professores, aquando da entrevista. Considero esta uma estratégia bastante eficaz no sentido de que expõe ao leitor o que se encontra por detrás dos instrumentos aplicados, portanto a sua vertente qualitativa, descritiva e indutiva, de uma forma bastante simples ao entendimento de quem não participou na investigação e a lê posteriormente. Foi um esforço por parte da Mestre que deu os seus frutos na medida em que nos descreve toda a base investigativa.
Em relação à escolha dos participantes, muito não há a dizer, apesar de a autora nos descrever de forma muito específica quem são os entrevistados, portanto os professores. São 8 professores, entre os 29 e os 57 anos, do 1º Ciclo do Ensino Básico que possuem experiência, (entre os 6 e os 30 anos de carreira), em contextos multiculturais, de duas escolas situadas na região de Lisboa.
Fala-nos, depois, do instrumento entrevista. A entrevista é de cariz semi-diretivo pois pretende utilizar a linguagem e as representações dos entrevistados para alcançar o objetivo da investigação. De modo a que o leito compreenda a direção da entrevista coloca os diversos Blocos da mesma, revelando, de certa forma, as linhas de orientação para a posterior análise: o Bloco A destina-se à legitimação da entrevista; o Bloco B pretende aceder à biografia profissional de cada professor no sentido de o caraterizar; o Bloco C vai no sentido de se perceber e conhecer que estratégias e atividades são utilizadas pelos entrevistados para lidar com a diversidade cultural em sala de aula; o Bloco D vai identificar que problemas e situações conflituosas podem advir de uma turma multicultural; o Bloco E pretende conhecer a conceção do professor em relação à educação multicultural; e o Bloco F foca aspetos da formação do professor relativa à educação multicultural.
Por fim, a análise de conteúdo das entrevistas realizadas pretende captar a fiel descrição dos entrevistados, extraindo representações, crenças, desejos, satisfação/insatisfação, expectativas e pensamentos em relação à problemática, portanto em relação não só aos contextos multiculturais, mas também em relação à formação nesta área. A autora diz-nos que esta análise ocorreu através do destaque de unidades significativas, utilizando a separação, a combinação, o agrupamento, e a comparação entre entrevistas e sentidos/significados atribuídos pelos professores, criando assim uma grelha de análise contendo categorias, subcategorias, indicadores e unidades de registo.
Assim, considero este capítulo referente à metodologia bastante bem conseguido, revelando os procedimentos da elaboração, de aplicação e de análise de cada um dos instrumentos ou estratégias adotadas. Ao leitor, é uma mais-valia este tipo de informação, na medida em que nos fundamenta o porquê e o como foi realizada a investigação, dotando o leitor de mais sólidas bases de compreensão da investigação no seu todo.
Apresentação e Análise de Resultados
A Mestre optou por unir a apresentação e discussão de resultados, a meu ver, no sentido de provocar uma melhor compreensão ao leitor no que aos resultados emergidos da investigação diz respeito. Sem qualquer objeção a apontar, pois considero que contribuiu também para o meu entendimento do que tinha resultado das entrevistas, verifiquei que colocou os resultados em grelhas bastante pormenorizadas. Por um lado dá-nos “Temas” e por outro “Categorias, sendo os primeiros os resultados apresentados, e as segundas os resultados discutidos. Todo o esforço de colocação da informação em grelhas surtiu efeito, pois são facilmente depreendidos os contributos da investigação realizada. Pelo trabalho extenuante e de desconsideração pelo trabalho já realizado pela autora, apenas coloco aqui a grelha de apresentação e análise de resultados simplificada, que mesmo assim nos oferece uma visão bastante efetiva do que realmente emergiu das entrevistas realizadas:
|
Temas |
Categorias |
|
Conceções de professores sobre o que é ser professor em contextos multiculturais |
Competências necessárias para lidar com a multiculturalidade |
|
Importância da educação multicultural |
|
|
Estratégias usadas pelo professor para lidar com a multiculturalidade |
Estratégias executadas |
|
Estratégias sugeridas |
|
|
Eventuais problemas existentes na sala de aula em relação a multiculturalidade |
Socialização do aluno no contexto multicultural |
|
Insucesso escolar |
|
|
Dificuldades experimentadas na sala de aula |
|
|
Formação e eventuais necessidades de formação |
Formação obtida |
|
Deficiência na organização da formação contínua |
|
|
Expetativas em relação à formação contínua |
As Conclusões
As conclusões da investigação estão apresentadas consoante os temas referidos na apresentação e discussão de resultados, o vem facilitar a compreensão das conclusões pois é possível verificar de onde advêm, de que tema emergem. É uma estratégia, a meu ver, muito bem conseguida na medida em que proporciona ao leitor um encadeamento de ideias entre os resultados obtidos e as conclusões da análise dos mesmos.
Em relação ao primeiro tema, as conceções dos professores sobre o que é ser professor em contextos multiculturais, ressaltam os seguintes aspetos: é procurar diferentes formas de aprendizagem, é ser curioso, é pesquisar, é ter abertura de espírito, é respeitar as individualidades de cada aluno.
No segundo tema, referente às estratégias utilizadas pelos professores no sentido de lidar com a multiculturalidade, são salientadas as conclusões: fazer uso de recursos extraídos do próprio contexto, promover a colaboração e partilha através de relatos de experiências e costumes, adequar o currículo e a avaliação às necessidades de cada aluno, desenvolver atividades que façam emergir caraterísticas dos alunos, fazer um atendimento individual.
Relativamente ao terceiro tema, eventuais problemas existentes em sala de aula em relação à multiculturalidade, os principais tópicos emergidos são: a limitação de tempo e a constituição de turmas grandes, a dificuldade de socialização de alunos de culturas minoritárias (sobretudo referente ao fraco domínio da língua dominante), a participação e rendimento menor, e o insucesso escolar associado a fatores económicos e não à identidade cultural.
No quarto tema, a formação e eventuais necessidades de formação, as principais conclusões relacionam-se com: a falta de preparação na formação inicial, a descontextualização da formação inicial (não tem em conta as dificuldades no real), a autoformação adquirida no trabalho com turmas multiculturais, o desejo de frequentar ações de formação relacionadas com a multiculturalidade, e a crença de que a formação contínua ajudará os professores a desenvolver competências e capacidades no sentido de compreender os comportamentos dos alunos e seus pais.
Desta forma, considero, como já referi, uma ótima estratégia de organização das conclusões, consoante a apresentação e discussão dos resultados, mas considero também muito pertinentes as conclusões salientadas pela autora, o que confere ao autor uma boa “fotografia” da realidade multicultural em sala de aula e das representações e pensamentos dos professores em relação às duas temáticas, a multiculturalidade e a formação contínua para a mesma.
As Tutorias
Considero pertinente abordar neste espaço as duas aulas tidas em regime de tutoria durante o decorrer do segundo semestre. Apesar de não contemplarem conteúdos ou matéria própriamente ditos, tiveram grande impato no desenvolvimento do Projeto "Experimentar para Crescer". Em ambas as aulas em que apenas se encontrava a dupla e a professora, senti grande apoio e genuino interesse por aquilo que estava a realizar na instituição.
Numa primeira tutoria, o objetivo centrava-se mais nas atividades que iriamos realizar, logo forma abordados tópicos como a quantidade de atividades, duração, intervenientes, recursos, formas de avaliação Numa discussão aberta, chegámos (eu e a Cátia Boura) à conclusão de que teriamos de reduzir o número de atividades a realizar, mas também nos ajudou, e muito, a definir recursos e tempos, mas sobretudo as formas e instrumentos de avaliação a aplicar. Tinhamos, na altura, pouca estruturação destes instrumentos, tão pouco tinhamos a noção da quantidade de instrumentos que teríamos de criar para avaliar as atividades em particular, e o projeto na sua globalidade. Foi, portanto, esta o grande auxiliio que a primeira tutot«ria nos deu: as linhas orientadoras para a construção de tais instrumentos, além da definição final das atividades a realizar.
Na segunda tutoria, já com as atividades realizadas e a avaliação (em todas as suas vertentes) aplicada, tivemos grande apoio para a consequente análise e discussão dos dados recolhidos. Entrámos na tutoria com a sensação de muito trabalho realizados, com muita informação registada, mas a dúvida de como a iriamos analisar e discutir persistia. Novamente através de diálogo aberto, troca de ideias e dúvidas, nós, a dupla e a professora, conseguimos definir como iriamos proceder à análise e discussão dos dados.
Assim, considero de extrema importância a realização destas aulas quase individuais de tutoria, nas quais recebemos não só feedback do que já foi realizado, como também orientações para os procedimentos que se seguem. Foram momentos de grande acompanhamento e apoio individiual à dupla, pelo que nos permitiu não apenas realizar o relatório com mais precisão, como também nos possibilitou olhar as nossas fraquezas com uma perspetiva de melhoria. É, também por estas razões, que encaro as aulas de Seminário de Integração Profissional V como uma plataforma, uma rede de lançamento para o trabalho realizado fora delas, isto é, na instituição que nos acolheu.
A Apresentação de Resultados do Projeto
Assim como foi efetuado no primeiro semestre, se bem com conteúdos referentes a diferentes fases da metodologia de projeto (na altura, a fase de diagnóstico e planificação), também neste segundo semestre foram apresentados os resultados dos projetos da turma, referentes às fases de execução e avaliação do projeto. Para além de ter realizado aprendizagens no âmbito dos projetos das colegas de turma, esta apresentação de resultados é por mim considerada, por um lado para exposição do que foi efetuado até à data, mas também como uma possibilidade de verificação daquilo que já fiz, e por outro lado para a melhoria daquilo que poderia estar menos bem.
Ao expôr os resultados já obtidos, e tendo em conta que na altura já tinha recolhido toda a informação de que necessitava, apenas faltava a sua análise e discussão, pude verificar, através de uma abordagem mais abrangente e global, todos os procedimentos que tinha efetuado não só no segundo como também no primeiro semestre. Eu e a Cátia Boura, decidimos então realizar a nossa apresentação de resultados tentando reunir tudo aquilo que já tinhamos conseguido fazer, nem esforço de conseguir mostrar à turma e à professora em que consistia o nosso projeto. Desta feita, enaltecemos a nossa finalidade, os nossos objetivos gerais, as nossas atividades e os seus objetivos específicos. Na apresentação e análise de resultados tentámos esquematizar a informação através de gráficos e algumas imagens do que se passou na instituição, comprovando as nossas palavras: aqui utilizámos os instrumentos de avaliação das aprendizagens e satisfação das crianças, da atividade em si e do nosso desempenho. De seguida expusemos a discussão dos resultados, discussão essa que resulta de uma ponte entre o que verificámos aquando do decorrer das atividades e o enquadramento teórico (desenvolvimento da criança, ensino pré-escolar e educação pela arte). Porque não tinhamos ainda realizado esta mesma discussão no que ao relatório escrito diz respeito, apresentámos as linhas gerais de discussão no sentido de fazer o público compreender como iriamos proceder à discussão dos resultados. Por fim, apresentámos as conclusões mais salientes do nosso projeto, baseadas não só nas avaliações realizadas, mas também nas palavras das educadoras e coordenadora pedagógica da instituição que nos recebeu. Tais conclusões foram retiradas de uma entrevista de grupo, encarada por nós como instrumento de avaliação fianl, como balanço final de todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano em colaboração com a instituição.
Após a apresentação de resultados, e tendo recebido feedback positivo da docente e colegas de turma, considerámos bastante eficaz a estratégia de utilizar a apresentação para a estruturação do relatório de projeto, já que, seguiam as mesmas linhas estruturais pedidas. Desta forma, considero não só uma boa forma de trabalho (passar do powerpoint para um documento word) pois confere-nos uma melhor e mais abrangente perspetiva do trabalho realizado, apesar de ser passível de ir às questões de fundo e mais particulares do próprio projeto. Assim, gostaría aqui de referir que, muitas vezes "refilando" desta habitual apresentação de resultados, esta se mostra bastante eficaz na hora de produzir o relatório, funcionando como instrumento de apoio, totalmente construido pelos alunos, dando-nos mais autonomia na ação de produção do relatório e profundo conhecimento de todas as ações efetuadas na instituição, para além de nos possibilitar a verificação de erros ou más formações de premissas os ideias que julgávamos estarem corretas. Pode parecer, aos alunos, uma repetição daquilo que se coloca em relatório escrito, mas serve não só para a turma e o docente entenderem "em que pé" a dupla se situa, como também para nos ajudarem, através de uma intervenção externa, a compreender onde e como poderemos melhorar.
